
Os pais suspeitos de matar o próprio filho, um bebê de 23 dias, em Patos, no Sertão da Paraíba, foram transferidos para unidades prisionais de João Pessoa nesta sexta-feira (16). Os dois estavam presos desde quarta-feira (14), quando a criança foi encontrada morta dentro de uma residência.
De acordo com a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP-PB) ao ClickPB, o homem foi levado para a Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, enquanto a mulher foi encaminhada para a Penitenciária Júlia Maranhão. Segundo as informações divulgadas sobre a transferência, os dois permanecem em isolamento.
As prisões, inicialmente em flagrante, foram convertidas em preventivas pela Justiça. Os pais, ambos de 19 anos, são investigados por homicídio qualificado e omissão.
A perícia realizada no corpo da criança apontou que o bebê sofreu 24 golpes de faca. Segundo o perito do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos, Dionísio Filho, a morte não aconteceu imediatamente após os ferimentos.
De acordo com o perito, o bebê agonizou antes de morrer.
Dos 24 ferimentos identificados, 13 estavam na parte posterior do corpo, atingindo regiões como costas e braços. Outros 11 foram encontrados na parte frontal, incluindo abdômen, rosto e tórax.
Um dos golpes perfurou o coração do recém-nascido.
O bebê foi encontrado morto na manhã da última quarta-feira (14), em uma residência localizada em Patos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pela Polícia Militar e constatou que a criança já estava sem sinais vitais.
Inicialmente, a perícia feita no imóvel havia identificado pelo menos 15 perfurações provocadas por faca. Posteriormente, o exame realizado no corpo apontou a existência de 24 ferimentos.
Os pais foram presos após o crime e apresentaram versões diferentes durante os depoimentos. Um atribuiu ao outro a responsabilidade pela morte da criança.
A Polícia Civil passou a investigar a participação de cada um. Entre as linhas consideradas está a possibilidade de a mulher ter cometido o crime sozinha. Outra hipótese apurada é a participação do pai, inclusive por eventual omissão.
Durante a investigação, um dos pontos que chamou a atenção dos policiais foi a afirmação da mulher de que teria gravado o momento do crime.
No entanto, uma análise inicial do celular não encontrou vídeos relacionados à morte do bebê. O aparelho foi apreendido e deve passar por uma perícia mais detalhada.
A Polícia Civil também ouviu testemunhas, entre moradores e outras pessoas que estavam nas proximidades da residência.
Na madrugada de quinta-feira (15), um dia após a morte da criança, a casa onde o bebê foi encontrado foi invadida.
Objetos que estavam dentro do imóvel, incluindo uma cama e um colchão, foram retirados e queimados em uma área próxima à residência.
Segundo a Polícia Militar, equipes fizeram rondas durante a noite para tentar evitar atos de vandalismo no local. A invasão teria acontecido em um período em que não havia uma viatura nas proximidades.
A Polícia Civil investiga quem participou da invasão, da retirada dos objetos e da queima dos pertences.
Apesar do episódio, a perícia relacionada à morte do bebê não foi prejudicada. O trabalho dos peritos no imóvel havia sido realizado na quarta-feira, antes da invasão.
Segundo informações levantadas pela Polícia Civil, os pais do bebê estavam separados havia algum tempo, mas acabaram se encontrando na mesma residência no dia da morte da criança.
Conforme o relato apresentado pela mulher, ela teria ido até Patos para retirar alguns móveis da casa.
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a dinâmica da morte e definir a participação de cada um dos pais.




